domingo, 7 de julho de 2013

O desafio de captar recursos para pequenas organizações

Muitos devem se lembrar quando a cooperação internacional, e algumas fundações e institutos específicos, eram, para muitas pequenas organizações da sociedade civil, a espinha dorsal de sua renda. Mas isso era naquela época, e certamente não é assim agora!
Com a crise internacional, e a reorganização do investimento social privado brasileiro, muitas doações para apoio à operação das organizações foram cortadas, e isso obrigou principalmente as pequenas instituições a buscar aumentar seu financiamento de outras fontes.
Lembro-me de falar em um conferência em 2006, e o tema foi "captação de recursos é a criança negligenciada e abandonada do terceiro setor". Naqueles dias, captação de recursos era vista como um "mal necessário". Bem, agora é simplesmente "necessário"!
Algumas organizações, especialmente aquelas que prestam serviço social diretamente, estão agora começando a ir à procura de recursos com empresas, filantropos regionais e a comunidade local, realizando eventos para captação e outras iniciativas.
O que essa mudança de cenário significa para eles: isso significa que eles estão tendo que ganhar novas habilidades, investir em novos funcionários e chamar seus conselheiros e dirigentes a investir no futuro das organizações.
Enquanto as pequenas instituições "molham seus pés" nesse território muitas vezes desconhecido da captação de recursos, o maior desafio que eles enfrentam é "recuperar o atraso" em um momento em que os fundos são escassos e a necessidade pelo serviços da organização é elevado, tendo que fazer o investimento necessário para conseguir garantir o ingresso de recursos para sustentar-se. No Reino Unido, por exemplo, uma pesquisa recente identificou que as principais deficiências de competências profissionais nas pequenas organizações do terceiro setor estão relacionadas à captação com grandes doadores individuas, empresas e captação de recursos on-line.
É quase irônico que as organizações tenham que investir recursos nessas estratégias e ferramentas de captação de recursos quando a razão para explorar novas áreas de captação é justamente a falta de recursos! Conselheiros e dirigentes terão que ser corajosos ao apoiar o desenvolvimento do trabalho até que dê retornos efetivos, assim como as grandes ONGs, mais experientes, sabem que a captação de recursos não alcança sucesso de um dia para o outro. Leva tempo para construir relacionamentos com o apoio certo em todas as principais áreas de captação de recursos. Os elementos-chave para o sucesso serão um modesto investimento, com os dirigentes entendendo que investir na captação de recursos não trará tesouro para os cofres imediatamente.
Quando converso com captadores de organizações pequenas são as metas de captação irrealistas que prejudicam o seu trabalho. Bons captadores serão claros com os dirigentes e o Conselho sobre o que é possível, e estabelecerão uma estratégia de captação de recursos robusta e clara sobre o desenvolvimento de relacionamentos que darão frutos apenas nos meses seguintes, e às vezes anos à frente.
Ganhar as habilidades certas é também uma questão fundamental para pequenas organizações, que contam muitas vezes com apenas um captador na equipe, ou até mais frequentemente com profissionais que fazem mais de uma atividade na instituição, não somente captação (e, em alguns casos, nem isso!). Entender como desenvolver uma estratégia e como abordar cada área de especialização na capatação é um grande obstáculo a superar. A forma como escrevemos um projeto para um edital não é igual à como escrevemos uma proposta para uma empresa local. Adaptar nossa mensagem para diferentes públicos requer compreensão real dos diferentes mercados e é uma habilidade crucial para o captador completo. Da pesquisa citada anteriormente também apareceu que as as pequenas organizações têm pouco ou nenhum dinheiro para treinamento e, assim, obter as habilidades necessárias é uma verdadeira barreira para a captação de recursos bem sucedida.
Outra área-chave de preocupação é a falta, muitas vezes, das redes necessárias para construir relacionamentos com os principais atores locais e potenciais apoiadores. Muitas vezes, as estratégias de captação de recursos que darão frutos logo no início são investimentos fortes em eventos, captação com a comunidade local, etc. Leva tempo conseguir recursos da comunidade local, de negócios locais, de doadores individuais locais, e os relacionamentos devem ser construídos e confiança adquirida. Construindo as redes certas para ter acesso a áreas de alto retorno de captação de recursos é crucial.
Assim, ter expectativas e metas realistas, as habilidades certas, o tempo para crescer e redes para construir são cruciais para o sucesso da captação de recursos para pequenas organizações. Todas são realizáveis, e estamos em um momento emocionante de desenvolvimento econômico e crescimento da filantropia no Brasil e no exterior.
Na Inglaterra, inclusive, há uma campanha específica para arrecadação de funtos para pequnas organizações com orçamento menor de 5 milhões de reais por ano, e com iniciativas gratuitas de captação de recursos que as ajudarão a levantar recursos. Por que não pensar em algo assim para o Brasil?
Texto original de Pauline Broomhead, publicada pelo Institute of Fundraising em 21 de junho de 2013 e traduzido para o Brasil pela ABCR.
NOTA ABCR: os dois primeiros parágrafos e o último do texto acima são adaptações da ABCR para a realidade brasileira.

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