quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Veja como captar recurso para seus projetos com as comunidades de crowdfunding


O “crowdfunding”, ferramenta que permite a empreendedores financiarem seus projetos por meio de doações coletivas, ganha força em Rio Preto. Hospedado em uma plataforma on-line, o mecanismo, de funcionamento simples, divulga projetos criativos e estipula valor a eles. Desta forma, qualquer pessoa pode apoiar e fazer doações em dinheiro, sem valores fixos. É como uma “vaquinha virtual”. E quem investe tem direito a recompensas exclusivas. 

O rio-pretense Lucas Pelegrino Bonalumi é exemplo de uso bem-sucedido do “crowdfunding”. Estudante de Imagem e Som da Universidade Federal de São Carlos, ele utilizou o mecanismo para finalizar o trabalho de conclusão do curso. A ação envolveu outros nove colegas de sala de aula. Durante dois meses de captação, o estudante conseguiu o financiamento estipulado. “Pedimos R$ 4 mil para cobrir os principais custos do projeto, que envolveu dublagem, trilha sonora original e compras de licença dos softwares de animação.” Iniciado em janeiro deste ano, o projeto, um curta metragem, será entregue em dezembro.
 

A plataforma on-line usada por Bonalumi foi o Catarse. Pioneira deste sistema no Brasil, a plataforma bateu até agora a meta de mais de 250 projetos que alcançaram financiamento. Para fazer parte deste número, Bonalumi se empenhou, distribuiu cartazes e divulgou o projeto por meio das redes sociais. Para o estudante, o projeto só não conseguiu mais verba porque ainda falta divulgação. “Cerca de 70% da doação veio do próprio círculo pessoal do projeto”, admite.
 

O mesmo modelo de financiamento está sendo buscado pela Cia. Hecatombe. Por ser independente, a companhia teatral recorreu à “vaquinha virtual” para captar verba para o pagamento de uma viagem. O grupo foi convidado para participar do evento DeTrupe - Encontro de Grupos Teatrais, que acontece no Rio de Janeiro, em agosto. Os fundos teriam como finalidade auxiliar nas despesas, como passagens aéreas - as quais o cachê do festival não cobre.
 

A campanha está sendo feita no Facebook, por meio do aplicativo Mobilize. O grupo quer arrecadar R$ 2 mil. A meta pode ser alcançada até o dia 1º de agosto. Até sexta-feira, o grupo tinha conseguido somente R$ 45. “A ferramenta é interessante pelo processo de cooperação. Por meio do mecanismo, o investidor comum fica em pé igualdade com grandes empresas patrocinadoras”, afirma o ator e diretor do grupo, Homero Ferreira.
 

Outro grupo da cidade aderiu ao “crowdfunding”. A Cia. Fábrica dos Sonhos aposta no sistema colaborativo de financiamento para finalizar o espetáculo de tradição denominado “Caipiras”. O projeto já foi aprovado pelo Proac ICMS, que permite ao grupo a captação de R$ 180 mil, no entanto, o orçamento do projeto é de R$ 301 mil.
 

Por meio do aplicativo Mobilize, o grupo pleiteia R$ 100 mil até dezembro deste ano, quando pretende estrear a obra. “O trabalho é um projeto grande, que além da montagem tem um produção cara, que envolve até animais”, explica a produtora, Drica Sanches. O valor também vai possibilitar dez apresentações da montagem. Até anteontem, porém, o grupo ainda não havia arrecadado nenhum valor.
 

Pelo sistema “crowdfunding”, se até o prazo escolhido o projeto atingir o valor desejado, o idealizador recebe o dinheiro e os proprietários da plataforma recebem uma comissão. No entanto, se a meta de arrecadação não for alcançada, o dono do projeto não recebe o investimento e os colaboradores recebem o valor aplicado de volta ou revertem em crédito para financiar outros projetos. As plataformas, desta forma, podem ser definidas como uma forma de comércio e mecenato.
 


As áreas mais atuantes incluem arte, música, design e produtos inovadores em geral. A ferramenta, por exemplo, foi responsável pelo financiamento da campanha de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos. A opção por captar recursos por meio do “crowdfunding” é inovador, segundo Drica, da Fábrica de Sonhos. “Somos um grupo independente do poder público, que busca incansavelmente mecanismos de financiamento para os feitos artísticos. O ‘crowdfunding’ foi um modelo novo encontrado para pleitear recursos.” Para ela, a iniciativa tem futuro. “O modelo tem potencial para se tornar uma fonte forte de financiamento.”

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